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quarta-feira, 9 de abril de 2014

O desafio de conhecer a cidade de Guarujá.


Desde 2003, quando comecei a dar aulas de Geografia em Guarujá, percebi um enorme desconhecimento dos alunos sobre a cidade. Tive a oportunidade de conhecer várias regiões de Guarujá durante a minha infância, graças ao meu pai, experiente navegador, “descobrindo” praias como Cheira-Limão, Sangava, Saco do Major, São Pedro, Iporanga e Camburi, ou passeando e comprando no comércio da Avenida Thiago Ferreira, ou mesmo acompanhando minha mãe, nas escolas nos mais diversos bairros. E nessas andanças, conhecia pessoas, ouvia histórias e “causos” que registrei na memória, e hoje, são extremamente úteis no estudo e compreensão da Geografia de Guarujá.
Assim, na tentativa de explicar um determinado fenômeno do campo da Geografia, buscava usar exemplos presentes em Guarujá, ou seja, contextualizando os conteúdos à realidade dos alunos. Ledo engano! Por diversas vezes, ao fazer uma referência sobre Guarujá, a expressão de interrogação era maior do que a da explicação original. Não havia, e há conhecimento sobre fatos e personalidades que ajudaram a fazer de Guarujá o que é atualmente. Nossa história é difícil de conhecer, seja por referências obscuras nos livros, seja pelo absoluto desinteresse observado por parte de maioria da população.
Poucas pessoas, abnegadas, tentaram buscar essas referências, como Oswaldo Cáfaro, que preservou um acervo fotográfico incrível sobre nossa cidade, ou a Baronesa Esther Sant’ana de Almeida Karwinsky, apesar do seu elitismo, contribuiu sobremaneira com a preservação, mesmo que documental, do folclore caiçara, ou ainda das Professoras Angela Omati Aguiar Vaz e Mônica de Barros Damasceno, bastiões da preservação da história de Guarujá.
Restou então elaborar algum material sobre Guarujá, com uma intensa pesquisa sobre fatos, pessoas e fenômenos que, presentes na cidade, influenciaram e ainda influenciam a vida das pessoas, na tentativa de que meus alunos passassem a conhecer melhor a nossa cidade e assim, se apropriassem plenamente de Guarujá, orgulhosos das coisas boas que existem por aqui, e conscientes das mazelas da ilha.
Fiquei motivado à compartilhar esse experiência quando a Secretaria de Educação de Guarujá anunciou a realização do Prêmio Educador Destaque, estimulando os Professores da Rede Municipal à relatar seus trabalhos desenvolvidos em sala de aula. Esse estudo sobre Guarujá foi um das 50 experiências selecionadas para fazer parte de um livro, com o objetivo de divulgar trabalhos exitosos. Desde a divulgação do Prêmio, fui procurado pois, mais de 40 professores, interessados em conhecer e multiplicar essa apresentação. Dessa forma, fica o registro sobre a demanda existente em na cidade de livros sobre a história, de atlas escolares de Guarujá.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Emancipar ou não

Emancipar ou integrar?
     Recentemente, um assunto que estava adormecido, voltou a ser discutido em Guarujá, estimulado pela votação no Congresso Nacional de uma Lei que possibilita a criação de mais de 400 novos municípios no Brasil: a emancipação de Vicente de Carvalho.
     Alguns são absolutamente indiferentes, outros descrentes sobre o êxito do movimento. Mas existem aqueles que não se manifestam, que não escrevem artigos em jornais, ou participam de programas na televisão ou no rádio, que não postam comentários e opiniões no facebook – chamados de multidão silenciosa – que claramente não estão satisfeitos com os rumos da administração do município de Guarujá, não apenas do atual governo, mas de uma forma de administrar que parece se repetir há, pelo menos, 40 anos.
     Sentem uma falta sistemática de planejamento nos empreendimentos realizados em todo o município de Guarujá. Vários exemplos podem ser lembrados: Quando houve a autorização para a construção de um terminal de contêineres na margem esquerda do Porto, o TECON foi comemorado, celebrado, foi dito que seria a solução para os problemas de desemprego em toda a cidade, enfim, seria algo bom para todos. Com tantos engenheiros e funcionários gabaritados na Prefeitura, ou tantos vereadores, zelosos pela cidade, ou mesmo com tantos articulistas e jornalistas com senso crítico apurado, não houve quem lembrasse que não tínhamos trabalhadores qualificados para várias funções operacionais nesse tipo de terminal, ninguém questionou como os contêineres chegariam até o terminal. Se de caminhão, por quais vias passariam, se seria necessário construir um acesso à esse terminal, ou ainda, onde esses caminhões ficariam estacionados. Os moradores do Jardim Boa Esperança, Vila Áurea, Pae-Cará, Monteiro da Cruz, Jardim Maravilha, Parque Estuário e Jardim Conceiçãozinha sabem dos transtornos dessa omissão. Por conta própria, colocaram obstáculos nas ruas, para impedir que esses caminhões trafegassem pelos bairros. Em relação aos empregos, verifica-se que existem guarujaenses trabalhando nos terminais, mas sempre em funções subalternas, braçais, nunca em cargos de mando, de gerência, de chefia, que são ocupadas por pessoas de fora, com qualificação técnica. Temos ainda exemplos da instalação de supermercados atacadistas na cidade, que causaram impacto no trânsito, sem que fosse exigido um estudo e obras que diminuíssem essa interferência no fluxo de veículos na cidade.
     Mas, sem dúvida, quem mais sofre com essa situação de improvisos, de remendos, de inconsequência é a população de Vicente de Carvalho. Embora existam mais ruas sem asfalto em Guarujá, Vicente de Carvalho possui equipamentos públicos de menor dimensão, seja na abrangência, seja no poder de decisão.      Embora a cidade possua atualmente três vocações bem claras – Turismo, Comércio e Porto – nenhuma delas é plenamente estimulada por políticas públicas de formação profissional, de atração de eventos, visitantes, recursos e cargas, de sustentabilidade ambiental. No máximo, vemos ações pontuais e desarticuladas, até porque quem está em Guarujá acredita que ter pouco a ver com Vicente de Carvalho, uma vez que o Turismo é o carro-chefe e o Comércio, acreditam ser “diferenciado” ou, de elite.  A visão em Vicente de Carvalho é semelhante, o Porto e as atividades relacionadas são o foco, e o Comércio é classificado como popular.
     Também existe uma “alma” guarujaense diferente da “alma” itapemense. No Guarujá, há uma identificação com a cultura caiçara, mesmo que um pouco homogeneizada e mais cosmopolita, o contato com a cultura do mar ainda é importante. No Itapema, o espírito do local é notadamente nordestino, com seus acentos, odores e cores domesticados, mas, ainda presentes.
     Até quando observados os problemas sociais, percebe-se diferenças entre Guarujá e Vicente de Carvalho. Podemos identificar poucas áreas de favelização em Vicente de Carvalho, como a Prainha, Caixão, Chaparral, Conceiçãozinha as Palafitas, no Morrinhos IV, e a desigualdade social é bem menor, sem grandes diferenças entre os mais ricos e os mais pobres. Já em Guarujá, existem muitas áreas favelizadas, como no Rio do Meio, Santa Cruz dos Navegantes, Areião, Perequê, Vila da Noite, Miozotis, Vila Baiana, Cochoeira, Cantagalo, Morro do Engenho, Morro do Biu, Caranguejo, Vila Zilda, Mar e Céu, Vila Rã, Vila Edna, entre outras, e os problemas ambientais decorrentes são maiores, além do verdadeiro abismo social entre os mais pobres e os mais ricos. Assim, a dinâmica das políticas públicas para uso e ocupação de solos, ações de enfrentamento à vulnerabilidade social, prevenção de catástrofes junto a Defesa Civil, são muito diferentes, quando observamos Guarujá e Vicente de Carvalho separadamente.
     Parece lógico que com tantas diferenças exista, latente, um sentimento de secessão. Afinal, a civilização judaico-cristão ocidental se caracteriza modernamente pela especialização, pelo aprofundamento dos conhecimentos, fazendo sentido que dois lugares com tantas diferenças, apesar da proximidade, queriam definir seu futuro, especializando a administração nas suas questões específicas, sem perder tempo, recursos e dinheiro em assuntos que não lhe interessam.
     Mesmo com todos esses argumentos favoráveis à separação de Vicente de Carvalho de Guarujá, que para muitos são suficientes para embasar a proposta, precisamos refletir sobre dois aspectos importantes: Quanto isso custará e a quem interessa essa emancipação.
     O custo da emancipação não deve ser contabilizado apenas nos valores gastos em relação à um plebiscito ou mesmo da instalação de uma Prefeitura, com Secretarias e concurso para os funcionários públicos necessários ao bom atendimento dos cidadãos e de uma Câmara de Vereadores. Alguém já calculou se o recolhimento de IPTU, ISSQN e IPVA em Vicente de Carvalho é suficiente para o custeio de toda a infraestrutura e máquina administrativa necessária? Não nos esqueçamos que o IPTU pago em Guarujá não é gasto lá, pois 70% dos imóveis são ocupados por apenas dois meses. Os outros meses do ano, aquele IPTU arrecadado é utilizado em toda a cidade, em especial nos lugares de maior concentração de pessoas de renda mais baixa, ou seja, em Vicente de Carvalho, uma vez que em muitos lugares de Guarujá, a Lei não permite o uso desses recursos, uma vez que estão em áreas irregulares.

     Numa primeira análise, a emancipação atenderia os anseios das pessoas de Vicente de Carvalho, mas, em especial, da classe política, pois num espaço onde atualmente são eleitos um prefeito e 17 vereadores, teremos dois prefeitos e, pelo menos, 28 vereadores, além de todos os secretários em duplicata. Num mundo cada vez mais globalizado, e estando inserida numa região metropolitana, a tendência parece ser de união e não de separação entre as comunidades, uma vez que há grandes oportunidades de desenvolvimento à partir da diversidade, como encontramos atualmente no município de Guarujá, mas as pessoas da cidade, especialmente as moradoras de Vicente de Carvalho parecem cansadas de aparecer como coadjuvantes, querem, com razão, o protagonismo de seus destinos.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Geração ECA

- “As ações criminosas estão cada vez mais violentas e cruéis” – comentou um professor à um grupo colegas na sala dos professores, face a mais um crime hediondo que foi noticiado. Um desses colegas continuou: - “Isso é pouco, as elites abusaram e exploraram os pobres até que eles reagissem assim.” Alguns ignoraram, alienados por uma jornada absurdamente extenuante, uns poucos, particularmente, ficaram bastante desapontados com aquele colega professor, que certamente reproduz essa opinião aos seus alunos, dando uma justificativa ao injustificável. Arrastar uma criança no asfalto porque ela ficou presa no cinto de segurança após um assalto por mais de três quilômetros, atear fogo à dentistas porque eles não tinham dinheiro ou atirar em quem não reage à um assalto não é exatamente uma ruptura do status quo das classes sociais, é barbárie.
Se antes, essa postura de vitimizar o bandido era um discurso de alguns ultra-esquerdistas nos meandros das Academias, que buscavam sempre o lugar comum da exploração do proletariado pela burguesia, às raízes escravistas e latifundiárias do nosso período colonial, hoje é um discurso oficial, uma política pública, uma prática do Estado.
O assistencialismo tornou-se regra, gerando dependência e acomodação. Não existem contrapartidas, cobrança por deveres, apenas direitos. O “nóis tem direito” virou um mantra da plebe ignara, intercalado com alguns “o governo tem que dá”. Ora, quem recebe, sem ter feito por merecer, não dá valor à isso. O mérito tornou algo dispensável, e você nem precisa ser um “companheiro”, basta fazer parte do bloco da situação, que você será “aproveitado” para algum cargo, alguma função. Basta olhar os currículos dos vários ministros e secretários nacionais: poucos têm perfil técnico, ou mesmo formação mínima para o bom exercício em suas pastas.
Mas esse abismo entre exigir seus direitos e querer cumprir seus deveres não surgiu da noite para o dia, foi o resultado de uma erosão, lenta, gradual e contínua nas exigências e regras que estavam estabelecidas às crianças e jovens. Com o dedo em riste de alguns psicólogos, que afirmavam que a forma de criação e educação era a causadora de traumas e neuras, os nossos congressistas aprovaram uma Lei extremamente leniente, e, por vezes, inócua, com os maus-feitos, com os abusos e com os possíveis crimes feitos por esses jovens. Aliás, criança ou jovem não comete crimes, comete “Atos Infracionais”. Então, uma pessoa que morreu alvejada por um jovem menor de 18 anos, não é assassinada, é “ato-infracionalizada seguida de morte”, ou então uma mulher, que é espancada e forçada a fazer sexo com um menor de 18 anos, não é estuprada, é ato-infracionalizada sexualmente.
Esse imenso destemor, essa absoluta certeza na impunidade preenchem esse abismo entre os direitos e as obrigações, que fica cada vez maior, erodido pelos efeitos e práticas do Estatuto da Criança e do Adolescente. Esses jovens menores de 18 anos que estão praticando esses crimes bárbaros, ou, como está no ECA, esses atos infracionais bárbaros, são frutos dessa Lei.
E se essas crianças e jovens não são cobrados de seus deveres e nem sofrem consequências por seus erros, como deverá funcionar o local que deve prepara-los para a vida adulta, para a prática da cidadania? As escolas estão isoladas, abandonadas pelo poder público, que gasta mal os recursos destinados à educação, pelos pais, que, cada vez mais se isentam de responsabilidades, e pela sociedade, anestesiada por Bolsas e Auxílios que os reduzem à parasitas do Erário, à massa de manobra, daqueles mesmos que redigiram e aprovaram o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em fevereiro de 2014 teremos, em Brasília, a realização da II Conferência Nacional de Educação. Entre maio e junho deste ano, realizaram-se Conferências Livres e Conferências Regionais preparatórias às Conferências Estaduais. O Ministério da Educação elaborou um documento-referência com sete eixos temáticos, como forma de subsidiar as discussões e propostas elaboradas nessas fases preliminares à II CONAE. Em nenhum momento, em nenhum dos sete eixos temáticos de discussão, o documento-referência para a Conferência Nacional de Educação, estimula, recomenda, sugere, institui ou mesmo cita sobre o protagonismo juvenil, estímulo à autonomia ou ao empreendedorismo. Bastante emblemático, e reforçou o entendimento sobre a intenção de manutenção dessa massa dependente de bolsas e auxílios, acomodada e altamente manipulável.
Por enquanto, a classe média vem suportando os ataques provenientes de várias frentes: acharcada por impostos e taxas que sustentam as bolsas e auxílios usados como entorpecentes às massas; vítima preferencial de crimes violentos, praticados por uma massa de jovens com sérias deformidades de caráter, criados sob a proteção do ECA e; acusada pelos ultra-esquerdistas, agora infiltrados em todos os níveis de Governo, de promover a luta de classes, por não querer entrar na onda assistencialista, por preferir estudar, trabalhar e conquistar uma vida melhor por seus méritos, sem as benesses ou favores do Estado.
Há, no limite, um acordo tácito entre a massa e os atuais mandatários. O povão fica satisfeito com as migalhas, pois tem a impressão que “estão ganhando na moleza” um “dinheirinho” e assim, votam nesses governantes, tolerando suas práticas corruptas, os superfaturamentos e desvios de verbas, pois, no fundo, se fossem com eles, também se locupletariam. No pensamento simplório dessa massa, são perceptíveis grandes falhas morais e éticas. Parece ser um círculo vicioso, bastante difícil de quebrar.

Portanto, não tenhamos ilusões com a projeção do nosso país, como “Emergente”. Isso se dá não pelo desenvolvimento ou melhoria nos fundamentos de nossa economia, e sim pela decadência ou desgaste observados nas economias dos outros países. Não temos planejamento, investimentos estruturais, debates e discussões com o rigor necessário, se temos boas iniciativas, falta-nos a “acabativa”, o Congresso Nacional, as Assembleias e as Câmaras são subservientes aos chefes dos executivos, pois querem que suas emendas e projetos tenham recursos liberados e que seus apadrinhados sejam nomeados à algum cargo, enfim, não somos um país sério. Continuaremos, pelo menos, nos próximos 50 anos, como um país reprodutor de tecnologia, corrupto, violento e sem políticas efetivas de combate à pobreza, se não houver profundas mudanças, não apenas nas nossas leis, mas, principalmente, na nossa postura como cidadãos, que sabem fiscalizar e cobrar e, sempre quando necessário, mudar os governantes inaptos.

domingo, 9 de setembro de 2012

O Silêncio e a Inação

Quando da formação do Mercosul, em 1991, o bloco econômico que se embrionava parecia um novo capítulo na relações políticas, sócio-culturais, mas principalmente econômicas no nosso continente e parecia que, enfim, o Brasil mudava sua posição “de costas” para a América do Sul e de antagonismo com a Argentina. Essa época foi de mudanças dramáticas no cenário geopolítico mundial, com a derrocada de quase todos os governos comunistas, e esfacelamento de alguns países, como Alemanha Oriental, unificada à Alemanha Ocidental, Tchecoslováquia, a brutal desagregação da Iugoslávia e o melancólico fim da União Soviética.
O Brasil parecia na vanguarda geopolítica, assim como os Estados Unidos, que apressaram a adesão do México ao seu NAFTA com o Canadá, ou Alemanha e França liderando um aprofundamento da integração na Europa, com o Tratado de Maastrich e até mesmo a Rússia, que abraçando o capitalismo, tratou de manter sob sua órbita econômica, várias antigas repúblicas do período soviético, através da CEI.
Parecia. O transcorrer da década de 1990 ensejou ações tímidas do Brasil em direção à integração com seus parceiros “mercosulinos”. Dois fatores obstaculizavam: As crises financeiras e o protecionismo argentino. O ápice desse período foi em 1999, quando o governo portenho decretou moratória, depois de uma aguda crise política que resultou em uma verdadeira “dança das cadeiras” com cinco presidentes da república se sucedendo em menos de um mês.
O início do novo milênio trazia esperanças de um novo arranjo, com novos governos, com forte apelo popular, no Brasil e na Argentina. Tanto que, começaram as negociações para a adesão da Venezuela ao Bloco e Bolívia, Peru, Equador e Chile tornaram-se membros-associados, e um Parlamento foi instalado.
O Parlamento do Mercosul, com sede em Montevidéu, instalado em dezembro de 2005 teria inicialmente, 18 representantes vindos de cada um dos congressos nacionais dos  quatro países-membros, ou seja, nessa primeira fase, sua representação seria paritária. Seus substitutos seriam, supostamente, eleitos por voto direto, e com representação proporcional ao tamanho das populações dos países que representassem. O Parlamento do Mercosul seria uma caixa de ressonância dos desejos, anseios, necessidades e das ideias das populações dos quatro países.
Passamos por duas eleições gerais desde então e ainda temos deputados federais e senadores que, além das suas funções de representantes de seus estados junto ao congresso brasileiro, acumulam a função de representantes dos interesses brasileiros no Parlamento do Mercosul, e pior, sem serem escolhidos pelo povo para isso.
De certo, o Brasil precisou negociar com os outros “sócios” do bloco, pois, naturalmente, haveria uma enorme disparidade entre o número de parlamentares de cada país, uma vez que o Brasil possui quase quatro vezes a população Argentina, Uruguai e Paraguai somadas.
Pois bem, se o Parlamento está instalado desde 2005, e diversos congressistas de vários partidos políticos, por ele passaram, qual a dificuldade de elaboração de um plano de atuação parlamentar por parte dos partidos políticos? Ao percorrer os sites de todos os partidos brasileiros que possuem esse canal de informação não existe uma única linha, um mísero link, que destaque a atuação dos parlamentares do partido em Montevidéu, ou mesmo que informe os planos, ou intenções que o partido tem acerca da defesa de interesses brasileiros no bloco.
Falar então em formação de blocos parlamentares supranacionais parece fora de propósito.
Esse imenso nada faz par com o silêncio retumbante quando se questiona qualquer partido político diretamente. Simplesmente não se obtêm respostas, seja quando se interpela à direção partidária, seja quando se procura as fundações e institutos de pesquisa política, que os partidos são obrigados a manter. O mais comum é não conseguir nenhuma resposta. Raras vezes, seu pedido é encaminhado ao parlamentar que estiver, naquele momento, indicado para o Parlamento e aí, ocorre a fulanização do processo, quando esse parlamentar envia o que ele produziu, o que ele apresentou, o que ele defendeu.
O que é essencial aqui é conhecermos o que os nossos partidos políticos pretendem em relação ao Mercosul, pois serão esses partidos políticos que determinarão a sequencia dos candidatos numa lista nacional pré-ordenada, como consta no Projeto de Lei que regulamenta a eleição direta para o Parlamento do Mercosul. Estaremos à mercê dos partidos, os mesmos que não possuem propostas, projetos, informações ou transparência as suas ações para o Mercosul. Afinal, quais os critérios usados para a indicação dos atuais representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul? Essa falta de propostas e de discurso permeia todas as agremiações partidárias, desde os partidos da esquerda mais radical, passando pelos de centro-esquerda, centro, centro-direita, até os da direita mais selvagem.
Estudo as relações de integração do Mercosul desde 1996, e busco fazer comparações com outros blocos econômicos. Aqueles que são mais fortes institucionalmente, são aqueles que têm espaços de representação popular fortes e relevantes. O Parlamento do Mercosul, infelizmente, está longe desses predicados atualmente. À começar pela sua estrutura, que não lhe confere poder de aprovação ou regulamentação de acordos, cartas e tratados, passando pela atuação dos parlamentares, normalmente medíocre, e atingindo o “fundo do poço” com a absoluta inoperância dos partidos políticos na discussão de propostas e projetos para o bloco.
Seremos obrigados a participarmos dessa eleição. Mais do que uma obrigação, o direito ao voto foi uma conquista da qual não podemos prescindir, e a nossa história recente já nos deu exemplos de como as coisas se encaminham quando esse direito é negado. Não podemos ser negligentes como a democracia nem permitir que sejam e os partidos políticos tem se mostrado assim aos eleitores/cidadãos. Não podemos deixar que a democracia representativa continue a ser desacreditada, sob pena de não conseguirmos construir uma efetiva democracia participativa.
Rogo à todas as tendências partidárias dentro de todos os partidos políticos que organizem propostas e projetos, para a atuação parlamentar de nossos futuros representantes no Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, para que possamos dinamizar os processos de integração de infraestrutura de transportes, de energia, de sistemas bancários, de regras aduaneiras, de regras trabalhistas, que repercutirão em integração e desenvolvimento econômico e em políticas comuns de educação, saúde, cultura, lazer que certamente trarão um novo olhar e um novo agir dos cidadãos mercosulinos e sul-americanos, irmanados, não sob um mesmo governo, como buscou Bolívar, mas sob um mesmo ideal.

Esse artigo foi publicado no Blog do Diário de São Paulo http://www.diariosp.com.br/blog/detalhe/11907 e no Fórum do Leitor, do site do Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/geral,forum-dos-leitores,927647,0.htm

domingo, 3 de junho de 2012

Entendendo a Geologia de Guarujá

A partir das observações feitas durante a visita técnica em 25/04, os alunos dos Primeiros Anos do Ensino Médio da ETEC Alberto Santos Dumont, de Guarujá puderam refletir sobre as informações e conteúdos aprendidos em Geografia, Biologia e História, durante as aulas.

Sob a minha supervisão, elaboraram uma atividade de localização dos lugares visitados, com a pesquisa das características, apresentação das amostras de sedimentos recolhidos, além de um resumo sobre as características geológicas de Guarujá.

Cada uma das classes - 1M1, 1M2 e 1M3 - elaborou um mapa, de acordo com as suas observações. Além da pertinência das informações pesquisadas, busquei avaliar a habilidade de trabalho coletivo das turmas, uma vez que o trabalho era de toda a classe.

Fiquei muito feliz com os resultados, pois percebi que nas três classes ocorreu uma interconecção das informações estudadas em Geografia, Biologia e História, e por isso, preciso saudar das Professoras Ângela Lisbôa e Renata Amorim.

Trabalho do 1M1, com a apresentação das imagens e das amostras, antes da colocação das outras informações.

Trabalho do 1M2 finalizado, com as imagens, amostras, resumos e pesquisa sobre geologia.

Fases da construção do trabalho, com os alunos do 1M3.

Turma 1M3 junto ao trabalho finalizado.

A maior parte dos alunos participou da elaboração do trabalho, e ficaram bastante satisfeitos como o resultado atingido. A avaliação dos resultados fui bastante positiva, tanto do ponto de vista da pesquisa realizada com da cooperação e do trabalho coletivo.

Como estamos inseridos num porcesso pedagógico, o trabalho não se encerra, pois é um dos alicerces para os estudos e pesquisas para a Semana do Meio Ambiente e para a Feira de Ciências.